Bolsonarista filmado ao destruir relógio de Dom João VI é preso

  • 23/01/2023
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Bolsonarista filmado ao destruir relógio de Dom João VI é preso

Prisão aconteceu em Uberlândia. Polícia Civil confirmou que o homem é de Goiás. Imagens mostram o homem pegando o relógio e jogando o objeto no chão.

O homem filmado ao derrubar e destruir o relógio do século 17, feito pelo francês Balthazar Martinot, no Palácio do Planalto, foi preso pela equipe da Polícia Federal de Goiás. A prisão aconteceu nesta segunda-feira (23), na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais. O homem é Antônio Cláudio Alves Ferreira, de 30 anos.

O relógio de pêndulo foi um presente da Corte Francesa para Dom João VI. Balthazar Martinot era o relojoeiro do rei francês Luís XIV. Os atos cometidos por bolsonaristas radicais aconteceram no último dia 8 de janeiro. Na ocasião, golpistas invadiram o Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal (STF) e Palácio do Planalto. Mensagens divulgadas pelo g1 mostram que bolsonaristas radicais se articulavam por meio de aplicativos de mensagens.

Após os atos terroristas, o Ministério da Justiça passou a considerar o homem como foragido. O g1 não conseguiu localizar a defesa dele para que se posicione, até a última atualização desta reportagem. Segundo informações confirmadas pela Polícia Federal à TV Anhanguera, o homem vai ser levado à sede da Polícia Federal em Uberlândia e depois à Brasília.

Todos estão arquivados atualmente porque ele cumpriu as sentenças. Abaixo, veja os processos no Tribunal de Justiça de Goiás:

  • Ano de 2014 - TCO art 147 (ameaça)
  • Ano de 2014 - TCO art 147 (ameaça)
  • Ano de 2015 - Processo envolvendo a propriedade de um automóvel
  • Ano de 2017 - prisão flagrante - art 33 (tráfico drogas)

De acordo com as sentenças, os processos por ameaça foram arquivados porque Antônio Cláudio fez acordo com uma das vítimas, e no outro processo, a vítima não compareceu à audiência. Mais abaixo, veja as passagens pela polícia em Goiás.

  • Processo (ameaça): Antônio Cláudio fez acordo com a vítima em 19 de novembro de 2014. Segundo o termo de audiência, o autor se comprometeu a mais injuriar, ameaçar, ou de qualquer forma importunar a vítima. No acordo, a vítima renunciou ao direito de representação contra Antônio.
  • Processo (ameaça): Também em 2014, Antônio Cláudio respondia a processo por ameaça. Este foi arquivado porque a vítima não compareceu à audiência na Justiça.
  • Processo cível: Neste processo, Antônio moveu ação trabalhista contra uma empresa e fez acordo, quando negociou e ganhou a propriedade de um autómovel.
  • Processo por tráfico de drogas: Em 2017, Antônio foi preso em flagrante por tráfico, mas o crime foi alterado na Justiça para posse de droga. Assim, ele foi solto e cumpriu pena alternativa. O processo foi arquivado em 2018.

Segundo a sentença que mandou arquivar o processo, Antônio pagou multa de R$ 1 mil, dividida em 5 parcelas. Todas as guias de pagamento foram enviadas ao Judiciário. Ele também compareceu diversas vezes ao Núcleo de Apoio ao Toxicômano e Alcoolátra de Catalão durante quatro meses, para assistir palestras semanais.

Passagens pela polícia

A Polícia Civil de Catalão levantou os registros contra Antônio Cláudio, nesta semana, após ele ser identificado, e descobriu duas prisões.

  • 2014 - Prisão em flagrante pelo crime de receptação, previsto no artigo 180, do Código Penal.
  • 2014 - Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por ameaça, crime previsto no artigo 147.
  • 2014 - Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) previsto no artigo 28 da Lei de Drogas (LD). O artigo versa sobre comprar, guardar ou portar drogas sem autorização para consumo próprio. as penas são advertência sobre os efeitos das drogas e prestação de serviços à comunidade.
  • 2017 - Prisão em flagrante por tráfico de drogas, artigo 33 da LD. Neste caso, o processo foi arquivado em 2018, após ele cumprir a sentença judicial.

O registro de prisão por receptação, de 2014, consta no sistema da polícia, segundo o delegado Jean Arruda, mas ele não foi encontrado pelo Judiciário.

A reportagem apurou que Antônio Cláudio trabalhou em duas oficinas de carro em Catalão. A TV Anhanguera localizou o dono de uma delas, que preferiu não gravar entrevista, mas contou que o homem saiu da oficina durante a pandemia e que, nos últimos meses de trabalho, puxava conversas com colegas para atacar a democracia.


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